domingo, 27 de setembro de 2015

Sentido, Absurdo e a prática de Suicídio

Sempre se tratou do suicídio apenas como um fenômeno social. Aqui, pelo contrário, trata-se, para começar, da relação entre o pensamento individual e o suicídio. Um gesto desses se prepara o silêncio do coração, da mesma maneira que uma grande obra.  O próprio homem o ignora. Uma noite, ele dá um tiro em si mesmo ou se joga pela janela. Diziam-me um dia, a respeito de um gerente de imóveis que havia se matado, que cinco anos antes ele perdera sua filha, que desde então tinha mudado muito e que essa história "o deixara atormentado". 
Não se poderia desejar palavra mais exata. Começar a pensar é começar a ser atormentado. A sociedade não tem muito a ver com esses começos. O verme se encontra no coração do homem. Lá é que se deve procurá-lo. Esse jogo mortal que vai da lucidez diante da existência à evasão para fora da luz deve ser acompanhado e compreendido.
Há muitas causas para um suicídio, e nem sempre as causas mais aparentes foram as mais eficazes. Raramente alguém se suicida por reflexão (hipótese, no entanto, não descartada). O que desencadeia a crise é quase sempre incontrolável. Os jornais falam com frequência de "aflições íntimas" ou de "doença incurável". Estas explicações são válidas. Mas teríamos que saber se no mesmo dia um amigo do desesperado não o tratou de modo indiferente. Ele é que é o culpado. Pois isto pode ser suficiente para precipitar todos os rancores e todas as prostrações ainda em suspensão.
Mas se é difícil fixar o instante preciso, o percurso sutil em que o espírito apostou na morte, é mais simples extrair do gesto em si as consequências que ele supõe. Matar-se, em certo sentido, é como um melodrama, é confessar. Confessar que fomos superados pela vida ou que não a entendemos. Mas não prossigamos nestas analogias e voltemos às palavras correntes. Trata-se apenas de confessar que "isso não vale a pena". Viver, naturalmente, nunca é fácil. Continuamos fazendo os gestos que a existência impõe por muitos motivos, o primeiro dos quais é o costume. Morrer por vontade própria supõe que se reconheceu, mesmo instintivamente, o caráter ridículo desse costume, a ausência de qualquer motivo profundo para viver, o caráter insensato da agitação cotidiana e a inutilidade do sofrimento.
Qual é então o sentimento incalculável que priva o espírito do sono necessário para a vida? Um mundo que se pode explicar, mesmo com raciocínios errôneos, é um mundo familiar. Mas num universo repentinamente privado de ilusões e de luzes, pelo contrário, o homem se sente um estrangeiro. É um exílio sem solução, porque está privado das lembranças de uma pátria perdida ou da esperança de uma terra prometida. Esse divórcio entre o homem e sua vida, o ator e seu cenário é propriamente o sentimento do absurdo. E como todos os homens sadios já pensaram no seu próprio suicídio, pode-se reconhecer, sem maiores explicações, que há um laço direto entre tal sentimento e a aspiração ao nada.
O tema deste ensaio é justamente essa relação entre o absurdo e o suicídio, a medida exata em que o suicídio é uma solução para o absurdo. Pode-se postular que as ações de um homem que não trapaceia devem ser reguladas por aquilo que ele considera verdadeiro. A crença no absurdo da existência deve então comandar sua conduta. É uma curiosidade legítima perguntar, com clareza e sem falso pateticismo, se uma conclusão desta ordem exige que se abandone de imediato uma condição incompreensível. Falo aqui, evidentemente, dos homens dispostos a estar de acordo consigo mesmos.
Exposto em termos claros, este problema pode parecer ao mesmo tempo simples e insolúvel. Mas supõe-se erroneamente que perguntas simples levam a respostas não menos simples e que a evidência implica a evidência.
Tudo contribui, assim, para embaralhar as cartas. Não foi à toa que até aqui jogamos com as palavras, fingindo que acreditar que negar um sentido à vida leva obrigatoriamente que ela não vale a pena ser vivida. Na verdade, não há nenhuma medida obrigatória entrele estes dois juízos. É preciso apenas não se extraviar entre as confusões, divórcios e inconsequências apontadas até aqui. É preciso descartar tudo e ir direto ao verdadeiro problema. As pessoas se matam porque a vida não vale a pena ser vivida, eis uma verdade incontestável. Mas será que esse insulto à existência, esse questionamento em que mergulhamos, provém do fato de ela não ter sentido? Será que seu absurdo exige que escapemos dela, pela esperança ou pelo suicídio?
Os homens que morrem pelas próprias mãos seguem até o fim a inclinação do seu sentimento. A reflexão sobre o suicídio me dá então a oportunidade de enunciar o único problema que me interessa: há uma lógica que chegue até a morte? Só posso sabê-lo perseguindo, sem paixão desordenada, com a única luz da evidência, o raciocínio cuja origem indico aqui. É o que chamo de um raciocínio absurdo.

O Mito de Sísifo - Albert Camus (Prêmio Nobel de Literatura)

“O amor é o ridículo da vida, a gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo, indo embora. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar esse vaga ideia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem vinte e quatro horas. Morrer não dói.” Cazuza 1990

terça-feira, 14 de julho de 2015

As Emoções segundo Aristóteles


É provável que Aristóteles, no âmbito da filosofia, tenha sido o primeiro pensador a se referir às emoções profissionalmente, no livro II de sua Retórica. Ele menciona a ira, a amizade, o medo, a vergonha, entre outras mais, no entanto, vamos nos deter ao exame das emoções que acabamos de mencionar.




Segundo Aristóteles, as emoções são "as causas que fazem alterar os seres humanos e introduzem mudanças nos seus juízos”. A ira, por exemplo, vem acompanhada do desdém, o qual pode revestir-se de três formas: o desprezo, o vexame e o ultraje. Por outro lado, o contrário da ira é a calma. A calma é uma forma de apaziguamento e pacificação da ira. As pessoas mostram-se calmas com os que reconhecem as suas faltas e se arrependem e com os que agiram mal por erro e sem intenção. Quando é que a ira cessa, dando lugar à calma? Quando o alvo da ira mostra arrependimento, quando se deixa humilhar e, regra geral, com os necessitados e suplicantes, porque revelam humildade. Há situações propícias à calma: no jogo, nas festas, nos dias felizes, num negócio bem sucedido, na prosperidade e, em geral, na ausência de dor.
A amizade é uma forma de amar. É querer para alguém aquilo que pensamos ser uma coisa boa, por causa desse alguém e não por nossa causa. Quem é nosso amigo? É aquele que "se regozija com as coisas boas e se entristece com as nossas amarguras, sem outra razão que não seja a pessoa amada. Todos nós nos alegramos quando acontece aquilo que desejamos, mas todos nos entristecemos com o contrário, de tal sorte que a dor e o prazer são sinais da vontade. Também são amigos aqueles que têm por boas e más as mesmas coisas, e por amigos e inimigos as mesmas pessoas. Daí resulta, forçosamente, querer para os amigos o que se deseja para si próprio; de modo que são amigos aqueles que, ao quererem para si o que querem para a pessoa amada, mostram com toda a evidência que são amigos dela". E quem é que nós amamos? Amamos os nossos benfeitores, os amigos dos nossos amigos, os que estão dispostos a fazer-nos bem, quer em dinheiro quer em segurança e, ainda, os que nos dão prazer com a sua companhia e os que são agradáveis no trato e na convivência.
E por que razão temos medo? Aristóteles nos diz que "O medo consiste numa situação aflitiva ou numa perturbação causada pela representação de um mal iminente, ruinoso ou penoso". Só os males que nos podem causar mágoas profundas é que nos metem medo. Não receamos os males longínquos, nem os que não estão prestes a acontecer. Todos os jovens sabem que vão morrer um dia, mas os jovens não receiam a morte, porque ela lhes parece muito distante. Os velhos, no entanto, receiam a morte, mais do que todas as coisas, porque ela lhes parece próxima. O perigo consiste na proximidade do que é temível. Receamos a injustiça dos poderosos, o ódio e a ira de quem tem poder para fazer mal e as calúnias e injúrias dos maledicentes. Regra geral, tem-se tanto mais razões para temer quanto mais dependente se está dos outros seres humanos, porque os homens deixam-se dominar, facilmente, pelos apetites, pelas paixões e pelo desejo do lucro. Quando é que temos razões para recear? "Os que podem cometer injustiça são temidos pelos que podem ser vítimas dela, porque, a maior parte das vezes, os seres humanos, se puderem cometer injustiça, cometem-na. E o mesmo sucede com os que foram vítimas de injustiça ou acham que foram, uma vez que estão sempre à espreita de uma oportunidade. São também temíveis os que cometeram injustiças quando dispunham dessa capacidade, porque, também eles, por sua vez, temem a vingança". Quem são as pessoas que não têm medo? As pessoas que crêem que nenhum mal lhes pode acontecer, nomeadamente as que são possuidoras de grande riqueza, força e poder, ou as que pensam já ter sofrido toda a espécie de desgraças e as que já perderam a última réstia de esperança. As pessoas confiantes são o contrário das pessoas receosas. A confiança é o contrário do medo e as coisas que inspiram medo não trazem confiança e vice-versa.
Vamos passar, então, à vergonha. Aristóteles começa por perguntar que tipo de coisas provocam a vergonha e o seu contrário, diante de quem e em que disposições nos envergonhamos? A vergonha é um certo desgosto ou perturbação de espírito relativamente a vícios, presentes, passados ou futuro, susceptíveis de resultar numa perda de reputação. A desvergonha é uma forma de insensibilidade à perda de reputação. As coisas que provocam a vergonha são os vícios que consideramos desonrosos, para nós e para as outras pessoas. Todos os atos injustos, intemperados, mesquinhos ou cobardes podem provocar vergonha. Por exemplo, é vergonha abandonar, covardemente, o campo de batalha; tirar proveito de pessoas que estão na nossa dependência ou estão abandonadas; não socorrer quem precisa da nossa ajuda quando estamos em condições de o socorrer; não suportar canseiras que os mais idosos ou os doentes são capazes de suportar; falar aos quatro ventos de si próprio e de tudo vangloriar-se. A vergonha é tanto maior quanto maior for a nossa culpa na prática dos atos censuráveis. É correto não sentir vergonha daqueles que merecem o nosso desprezo ou são sistematicamente infiéis à verdade. Também está certo sentir mais vergonha daqueles que são nossos conhecidos do que daqueles que nos estão distantes ou nunca mais voltamos a ver. É, ainda, vulgar, sentir vergonha, não só dos nossos atos vergonhosos, mas também dos atos dos nossos antepassados, ou de quem nos une algum grau de parentesco.
É claro que o estudo filosófico das emoções pode se estender ainda mais, no entanto, não foi esta a nossa intenção por hora e, justamente por isso, elegemos apenas algumas entre outras emoções que foram abordadas pelo pensador grego em questão, sendo relevante, portanto, a leitura de sua obra integralmente.

Referências:

Aristóteles. Retórica. (Tradução e notas de Manuel Júnior, Paulo Alberto e Abel Pena). Lisboa: INCM, 1998.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Uma Prova para a Existência de Deus?

"...se do simples fato de que posso tirar de meu pensamento a ideia de alguma coisa segue-se que tudo quanto reconheço pertencer clara e distintamente a esta coisa pertence-lhe de fato, não posso tirar disto um argumento e uma prova demonstrativa da existência de Deus? É certo que não encontro menos em mim sua ideia, isto é, a ideia de um ser soberanamente perfeito, do que a ideia de qualquer figura ou de qualquer número que seja. E não conheço que tudo quanto posso demonstrar de qualquer figura ou de qualquer figura ou de qualquer número pertence verdadeiramente à natureza dessa figura ou desse número. E, portanto, ainda que tudo o que concluí nas meditações anteriores não fosse de modo algum verdadeiro, a existência de Deus deve apresentar-se em meu espírito ao menos como tão certa quanto considerei até agora todas as verdades das matemáticas, que se referem apenas aos números e às figuras: embora, na verdade, isto não pareça de início inteiramente manifesto e se afigure ter alguma aparência de sofisma. Pois estando habituado em todas as outras coisas a fazer distinção entre a existência e a essência, persuado-me facilmente de que a existência pode ser separada da essência de Deus e de que, assim, é possível conceber Deus como não existindo atualmente. Mas, entretanto, quando penso nisso com maior atenção, verifico claramente que a existência não pode ser separada da essência de Deus, tanto quanto da essência de um triângulo retilíneo não pode ser separada a grandeza de seus três ângulos iguais a dois retos ou, da ideia de uma montanha, a ideia de um vale; de sorte que não sinto menos repugnância em conceber Deus (isto é, ao qual falte alguma perfeição) do que em conceber uma montanha que não tenha vale."

René Descartes - Meditações Metafísicas (1641)

quinta-feira, 23 de abril de 2015

A cultura do capital é anti-vida e anti-felicidade

A demolição teórica do capitalismo como modo de produção começou com Karl Marx e foi crescendo ao longo de todo o século XX com o surgimento do socialismo e pela escola de Frankfurt. Para realizar seu propósito maior de acumular riqueza de forma ilimitada, o capitalismo agilizou todas as forças produtivas disponíveis. Mas teve como consequência, desde o início, um alto custo: uma perversa desigualdade social. Em termos ético-políticos, significa injustiça social e produção sistemática de pobreza.
Nos últimos decênios, a sociedade foi se dando conta também de que não vigora apenas uma injustiça social, mas também uma injustiça ecológica: devastação de inteiros ecossistemas, exaustão dos bens naturais, e, no termo, uma crise geral do sistema-vida e do sistema-Terra. As forças produtivas se transformaram em forças destrutivas. Diretamente, o que se busca mesmo é dinheiro. Como advertiu o Papa Francisco em excertos já conhecidos da Exortação Apostólica sobre a Ecologia: ”no capitalimo já não é o homem que comanda, mas o dinheiro e o dinheiro vivo. A ganância é a motivação … Um sistema econômico centrado no deus-dinheiro precisa saquear a natureza para sustentar o ritmo frenético de consumo que lhe é inerente.”
Agora o capitalismo mostrou sua verdadeira face: temos a ver com um sistema anti-vida humana e anti-vida natural. Ele nos coloca o dilema: ou mudamos ou corremos o risco da nossa própria destruição e parte da biosfera, como alerta a Carta da Terra.
No entanto, ele persiste como o sistema dominante em todo a Terra sob o nome de macro-economia neoliberal de mercado. Em que reside sua permanência e persistência? No meu modo de ver, reside na cultura do capital. Isso é mais que um modo de produção. Enquanto cultura encarna um modo de viver, de pensar, de imaginar, de produzir, de consumir, de se relacionar com a natureza e com os seres humanos, constituíndo um sistema que consegue continuamente se reproduzir, pouco importa em que cultura vier a se instalar. Ele criou uma mentalidade, uma forma de exercer o poder e um código ético. Como enfatizou Fábio Konder Comparato num livro que merece ser estudado A civilização capitalista (Saraiva, 2014):”o capitalismo é a primeira civilização mundial da história”(p.19). O capitalismo orgulhosamente afirma:”não há outra alternativa (TINA= There is no Alternative).”
Vejamos rapidamente algumas se suas características: finalidade da vida: acumular bens materiais; mediante um crescimento ilimitado, produzido pela exploração sem limites de todos os bens naturais; pela mercantilização de todas as coisas e pela especulação financeira; tudo feito com o menor investimento possível, visando a obter pela eficácia o maior lucro possível dentro do tempo mais curto possível; o motor é a concorrência turbinada pela propaganda comercial; o beneficiado final é o indivíduo; a promessa é a felicidade num contexto de materialismo raso.
Para este propósito se apropria de todo tempo de vida do ser humano, não deixando espaço para a gratuidade, a convivência fraternal entre as pessoas e com a natureza, o amor, a solidariedade, a compaixão e o simples viver como alegria de viver. Como tais realidades não importam para a cultura do capital, como reconheceu o insuspeito mega-especulador George Soros (A crise do Capitalismo, Campus 1999), porque, embora tenham valor, não tem preço nem dão lucro. Mas exatamente são elas que produzem a felicidade possível. Ele destrói as condições daquilo que se propunha: a felicidade. Assim ele não é só como anti-vida mas também anti-felicidade.
Como se depreende, esses ideais não são propriamente os mais dignos para efêmera e única passagem de nossa vida neste pequeno planeta. O ser humano não possui apenas fome de pão e afã de riqueza; é portador de outras tantas fomes como de comunicação, de encantamento, de paixão amorosa, de beleza e arte e de transcendência, entre outras tantas.
Mas por que a cultura do capital se mostra assim tão persistente? Sem maiores mediações diria: porque ela realiza uma das dimensões essenciais da existência humana, embora a elabore de forma distorcida: a necessidade de auto-afirmar-se, de reforçar seu eu, caso contrário não subsiste e é absorvido pelos outros ou desaparece.
Biólogos e mesmo cosmólogos (citemos apenas um dos maiores deles Brian Swimme) nos ensinam: em todos os seres do universo, especialmente no ser humano, vigoram duas forças que coexistem e se tencionam: a vontade do indivíduo de ser, de persistir e de continuar dentro do processo da vida; para isso tem que se auto-afirmar e fortalecer sua identidade, seu “eu”. A outra força é da integração num todo maior, na espécie, da qual o indivíduo é um representante, constituindo redes e sistemas de relações fora das quais ninguém subsiste.
A primeira força se constela ao redor do eu e do indivíduo e origina o individualismo. A segunda se articula ao redor da espécie, do nós e dá origem ao comunitário e ao societário. O primeiro está na base do capitalismo, o segundo, do socialismo na sua expressão melhor.
Onde reside o gênio do capitalismo? Na exacerbação do eu até ao máximo possível, do indivíduo e da auto-afirmação, desdenhando o todo maior, a integração na espécie e o nós. Desta forma desequilibrou toda a existência humana, pelo excesso de uma das forças, ignorando a outra.
Nesse dado natural reside a força de perpetuação da cultura do capital, pois se funda em algo verdadeiro mas concretizado de forma exacerbadamente unilateral e patológica.
Como superar esta situação secular? Fundamentalmente no regate do equilíbrio destas duas forças naturais que compõem a nossa realidade. Talvez seja a democracia sem fim, aquela instituição que faz jus, simultaneamente, ao indivíduo (eu) mas inserido dentro de um todo maior (nós, a sociedade) do qual é parte. Voltaremos ao tema porque não é suficiente fazer a crítica a esta cultura malvada, como a chamava Paulo Freire;   importa contrapor-lhe outro tipo de cultura que cultiva a vida e cria espaços para o amor, a cooperação, a criatividade e a transcendência.

Leonardo Boff

domingo, 5 de abril de 2015

O mito do bom selvagem, uma provocação.

Segundo a teoria do “bom selvagem”, de Rousseau, o homem teria nascido bom e que fora corrompido pela sociedade. Esta corrupção teria se iniciado quando o primeiro homem tomou para si um pedaço de terra e as pessoas de sua comunidade teriam gostado da ideia passando a fazer o mesmo.
Portanto, a propriedade privada seria a causa do egoísmo, da agressão e corrupção entre os homens. Tal suposição de fato é um mito. Rousseau não possuía qualquer evidência arqueológica, tal como temos hoje. 
Em “A guerra antes da civilização”, o arqueólogo Lawrence H. Keeley comprova que a violência era maior antes ao surgimento da propriedade privada, com cerca de 60% de chance de um indivíduo falecer por homicídio. 
O criminalista Manuel Eisner concluiu através de estudos históricos que a criminalidade vem decaindo desde o final a Idade Média – período em que a propriedade privada se consolidava como um direito. Atualmente as estatísticas revelam que as nações menos corruptas e violentas são aquelas que mais preservam a propriedade privada, tais como Mônaco, Dinamarca, Nova Zelândia, Suíça, Hong Kong e Singapura.

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